quarta-feira, outubro 24, 2007

O Principio da Incerteza (2002)

Agora é moda!

Fui à cinemateca ver um filme de Manoel de Oliveira, fui sozinho não consegui ser persuasivo o suficiente para convencer alguém a ir comigo (talvez se não tivesse dito que era um filme de Manoel de Oliveira). De facto existe em Portugal o estigma palpável que um filme de Oliveira é entediante e que impreterivelmente leva ao sono e às cabeçadas no vazio.

O meu conhecimento da obra deste que é o realizador mais velho no activo (o senhor tem 98 anos e tem uma produtividade superior a um filme por ano – do caraças, hem?) era e é incipiente tendo visto somente o Aniki Bóbó. Por isso decidi que ia ver o filme, e de facto gostei do que vi. É um tanto ou quanto parado, mas é um filme que embora suportado pelo enredo tem uma presença muito forte da imagem e da fotografia. Os cenários naturais proporcionados pelo Douro e as viagens de comboio atraem o espectador. O filme completa-se pela erudição de alguns diálogos bem como pela sua complexidade e segundos sentidos. Durante um diálogo, são raras as vezes que duas personagens trocam olhares, ficando uma delas a olhar para o infinito mostrando muito poucas emoções (pondo a minha colherada dizia que são expressões à la Buster Keaton).

Outra coisa que impressiona é o facto de o realizador ser ainda responsável por parte argumento (baseado num livro de Agustina Bessa-Luís) e diálogos, tem ainda responsabilidades na edição do filme.

Manoel de Oliveira um realizador a descobrir, mas nas salas de cinema porque acredito que em casa seja uma pouco mais difícil…

Nova música Portuguesa para piano e orquestra

Não só de filmes vive a alma! Neste caso aconselho uma lavagem com piano e orquestra na Fundação Calouste Gulbenkian nos próximos dias 25 e 26.
São três obras interpretadas sob a direcção do maestro Pascal Rophé e da autoria de Isabel Soveral, Sérgio Azevedo e Camille Saint-Saëns.
Destas apenas ouvi um pequeno excerto do Concerto para dois Pianos e Orquestra de Sérgio Azevedo que vai ser interpretado pelos pianistas solistas António Rosado e Miguel Borges Coelho, e meus senhores tenho que dizer que vale a pena.

Este pedaço de erudição pode ser ouvido e visto a partir das 19 horas pelo preço variante de 10-20€.

Como é? Vamos ouvir uma musiquinha e dizer que somos cultos?

terça-feira, outubro 23, 2007

A obra do mestre chegou!



Devia começar este post ao som de um assobio ou de uma harmónica.

Chegou a minha casa um dos grandes clássicos do western italiano C’era una volta il west (1968). É uma edição especial de 2 discos e legendado em Português (uma beleza!). Querem ver este filme? Passem lá em casa…

sexta-feira, outubro 19, 2007

O Natal faz de mim um zombie

Pare que vou falar de um filme de série z ou de um filme de John Carpenter, mas não, vou falar da minha ultima visita a um centro comercial (mas um dos grandes). Mal entro na dita catedral de compras, olho para uma montra e vejo artigos natalícios (bonecos de neve, renas, bolas, estrelas, etc.) incrédulo procuro a data corrente no meu receptor de chamadas telefónicas, e eis que reparo que ainda estamos em meados de Outubro mais de 2 meses antes do Natal.

Penso para mim, num raro momento de clarividência Calviniana, estes gajos, pá!, sempre a tentar invocar o espírito consumista de cada um de nós, quem precisa de mais enfeites para a árvore-de-Natal? Ninguém! Uma pessoa tem que ser um pouco papalva para cair em tal armadilha e atafulhar um pouco mais a árvore, sobretudo quando mesmo as pessoas que precisam dos enfeites só os vão usar daqui a 2 meses. Dois meses meus senhores – inacreditável.

Então, e meramente com espírito explorador – isto da ciência impele-me para escarafunchar tudo o que me parece merecedor de explicação – entrei na dita loja e fui tentar perceber qual o motivo que levava os magotes de pessoas, que estavam a comprar os bonequinhos, a fazê-lo.

Enquanto me embrenhava nos meandros escuros dos enfeites de Natal, lembrei-me que para além de produtos energéticos para manter a meu corpo (vulgos alimentos) tinha-me deslocado aquele espaço comercial também para adquirir uma prenda engraçada e despretensiosa.

Passados alguns minutos saí da loja muito confiante e com um embrulho debaixo do braço – um assunto já está arrumado, agora vou ver as novidades à FNAC (pensei eu). Segundos depois caí em mim (foi tranquilo, nada doloroso) e apercebi-me o quão papalvo eu sou, caí na esparrela e comprei um enfeite de Natal dois meses antes do aceitável. Sou de facto lamentável deixo-me manipular pelas grandes companhias e não consigo resistir a uma comprinha de Natal. Talvez seja por isso que já não tenho espaço para nada em casa.

Mas do mal o menos a prenda foi um sucesso. E porquê? Porque ninguém espera um presente desta índole a meio de Outubro…

quinta-feira, outubro 18, 2007

The Last Supper (1995)

Meus senhores, acabei agora mesmo de ver esta comédia de Stacy Title. Vi por indicação do Sr. Nuno Markl (indicação no seu blog http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt) e só tenho boas coisas a dizer. Grande filme, grande pedaço de noite que passei a vê-lo, foi bem catita. Aconselho vivamente, vejam esta comédia negra, mas só porque não sou de esquerda não me convidem para jantar…

P.S. – Já procurei e encontrei o dvd à venda na Amazon.uk. E a um preço nada disparatado. Humm...dá que pensar!

quarta-feira, outubro 17, 2007

George W. Bushisms (2004)


Ladies and gentlemen the leader of the free world!

Depois da promessa que ficou no ar e de muita ponderação, cá vai um comentário sobres as pérolas que saem da boca deste senhor.

Em relação a W. Bush Jr. tenho sentimentos contraditórios, um em que penso este senhor é um imbecil e outro em que penso espera ai este homem não pode ser assim tão burro, ele é mas é um génio da comédia. E ponderando bem as coisas ele não deve ser burro, o senhor é de facto uma lufada de ar fresco na comédia mundial, ninguém é mais brilhante que ele, mais ninguém conseguiria escrever tais ditos. O addcritics curva-se perante o seu brilhantismo Sr. Bush.

Esta é uma edição que para além do objecto redondo tem um livro de 80 páginas com o que de melhor se escreve na língua inglesa, achados brilhantes do baú das bacoradas bushianas - os ditos bushisms. Em termos de dvd é fraquinho, não gosto da edição e não gosto dos comentários, o que torna este dvd fascinante é mesmo o senhor que decidiu invadir o Iraque porque sim, só porque sim – para mostrar ao mundo que o chefe sou eu e que nem os gajos da nações unidas mandam em mim (pudera ninguém se percebe –qual torre de Babel, essa ao menos almejava o céu).

O dvd vale pela maravilhosa sensação que é beber da sabedoria infindável de George W. Bush. A homenagem deve ser prestada de uma forma mais explicita pelo que aqui ficam alguns dos dizeres que me pareceram mais consistentes com a linha de humor do chefão:

“I know the human being and fish can coexist peacefully”

“They have miscalculated me as a leader”

“They misunderestimated me.”

“I think if you know what you believe, it makes it a lot easier to answer questions. I can’t answer your question.”

“One of the great things about books is sometimes there are some fantastic pictures”

“Rarely is the question asked: Is our children learning?”

terça-feira, outubro 16, 2007

Chegou, chegou!

Pois é a ponte que liga Royston Vasey a Inglaterra estacionou no tapete da minha entrada esta semana. É uma edição simples, mas espantem-se, tem uma caixa amarela (cool), acho que é primeira caixa desta cor que tenho na estante. Vamos ver se a cor anima a festa…


segunda-feira, outubro 15, 2007

Ciclo de cinema # 1.4 – O Pai Tirano (1941)

E Torna a pingar mais um.

Aqui o vinho não era Torna Viagem mas sim dois copinhos de vinho branco que o bacalhau já foi. E ainda dizem que a escassez de bacalhau é coisa recente, já faltava nos anos 40, faltava e o pessoal bebia, vai-se a ver e a situação económica actual deve-se a escassez histórica do fiel amigo (que bela expressão, amigo, amigo mas estragou isto tudo! Ólarilas).
Aquele que é considerado por muitos como um dos melhores filmes de comédia nacionais é uma estória de desenganos baseada num triângulo amoroso. Francisco Mega (Francisco Ribeiro, ribeirinho) tenta conseguir o amor da inatingível Tatão (e é ouvi-lo a dizer Tatão Tatão pelo filme – tipo caixa de ritmos, ou de ressonância do bater do seu próprio coração - Tatão Tatão) acabando por se apaixonar pela Gracinha (Graça Maria) numa bela estória de Amor. Pelo meio há um corrupio de aldrabices de jogos de engano e de trafulhices muito apelativas ao público humorófilo (que raio de mania pá!).

Como um apontamento de curiosidade muitas personagens do filme têm os mesmos nomes (ou derivações) dos nomes dos actores que as interpretam. Sim senhor uma bela homenagem em celulóide.

Vasco Santana – Mestre José Santa
Francisco Ribeiro – Francisco Melga
Barroso Lopes – Lopes
Graça Maria – Gracinha
Teresa Gomes – Teresa
Seixas Pereira – Seixas
Laura Alves – Laurinha
Armando Machado – Machado
Idalina de Oliveira – Idalina

(para nomear apenas alguns)

Vejam o filme descansados e a comer dois pastelinhos de bacalhau – não há? – então a beber dois copinhos de vinho branco…

sábado, outubro 13, 2007

Jim Sheridan and his left foot

Esta semana fui pela primeira vez (completamente indescupável…) ver um filme na Cinemateca Portuguesa. Aconselho a todos uma passagem pela Cinemateca, deliciem-se com a beleza do edifício, mas sobretudo deliciem-se com o fantástico ambiente. Respira-se cinema, com as paredes repletas de cartazes de filmes, com o seu café/restaurante – 39 degraus (clara referencia ao The 39 Steps (1935) de Hitchcock) – e com a sua belíssima loja onde se podem encontrar filmes, livros e cartazes de cinema. E depois a hipótese de ver filmes que de outro modo não se conseguem ver no grande ecrã.

Fui então ver o My Left Foot (1989) de Jim Sheridan – filme galardoado com dois Óscares, melhor actor e melhor actriz secundária – na abertura do ciclo de cinema dedicado a este realizador e productor Irlandês – Método Irlandês. É um drama biográfico que retrata da vida de um pintor e escritor (Christy Brown) que nasceu com paralisia cerebral tendo apenas controlo pleno sobre a sua perna e pé esquerdos. O filme passa-se na Irlanda pobre pré-União Europeia onde o Catolicismo sempre presente leva ao aumento continuo do número de pessoas de agregado familiar com problemas financeiros.

Para meu espanto, quando cheguei ao piso superior da Cinemateca a fim de me sentar calmamente no café e deambular livre e interessadamente pela loja (cheguei 30 minutos antes da exibição), estava a ser servido um cocktail (nada de ordinarices) para o que me pareceu serem pessoas de outras nacionalidades que não a minha (a primeira pista foi falarem quase todos estrangeiro) e ainda mais alarmante foi o facto de estarem todos aperaltados como se dia de missa se tratasse. E a cirandar como um par de moscas dois fotógrafos sempre à procura da melhor posição para retratar o Sr. Jim Sheridan; é verdade o autor da obra estava presente bem como mais um sem número de personalidades sobejamente importante…há é verdade e eu que embora soubesse de antemão que o realizador ia estar na exibição tinha total desconhecimento sobre o aparato que agora me rodeava.

No computo geral foi uma experiência agradável, o local é fantástico o ambiente é muito aconchegante, vi um bom filme que nunca tinha visto e deparei-me com uma recepção à séria (até meteu discurso do embaixador, vejam lá!)

Visitem a cinemateca, se não forem visionar, passem por lá tomem um café e comam uma fatia de tarte de maçã (sim que agora é muito chic ter estes actos sociais em locais selectos tipo galerias de arte e assim, como o cinema também é arte dizem que é a 7ª bora lá todos passarmos por ajanotados cultos).

sexta-feira, outubro 12, 2007

A compra da semana

Esta semana adquiri mais um dvd.

Que dvd adquiri eu?

C'era una volta il West (Once Upon a Time in the West) (1968), mais um western, este já Spaghetti mas do mestre Sergio Leone. Edição especial de dois discos legendado em Português.

E sabem que mais este filme é com a Claudia Cardinale…quem é que sabe disto quem é?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Stardust (2007)

Hurray!! Uma crítica a um filme com menos de 20 anos – devo estar doente, andam praí umas febres maradas, mas a minha mãe sempre me disse que um agasalho é coisa boa por isso não deve ser.

Ontem à noite fui ver esta pérola do cinema fantástico contemporâneo.

Matthew Vaughn que até agora apenas tinha realizado Layer Cake (2004), mas com experiência já mais extensa como produtor (produziu o belíssimo Snatch (2000), dá-nos um festival visual, com paisagens tão incríveis como belas. O elenco deste filme é incrível: Robert DeNiro, Michelle Pfeiffer, Sienna Miller, Peter O´toole, Ian Mckellen e o incontronável Rick Gervais.

Cá está um filme que transmite as sensações gostosas dos filmes de aventura mágica (estou-me a lembrar do Mítico The Goonies (1985)), este filme transmitiu-me a mesma sensação que o Big Fish (2003) de Tim Burton (um senhor!), mas quanto mim, este filme é melhor, mais amplo, mais fantástico, com uma sensação de aventura maior. Podia estar aqui a escrever páginas e páginas sobre o filme e sobre cada pormenor, mas não quero introduzir Spoillers, o que quero mesmo é que vão ver o filme – é pá, é coisa que vale a pena (humm interessante três palavras seguidas com assento – não é muito normal – mas como o filme também o comentário é incrível).

Ciclo de cinema # 1.3 – O Costa do Castelo (1943)


Tenho conseguido manter a periodicidade anunciada (não corre mal isto), cá vai quentinha mais uma opinião sobre um filme sexagenário (quase, quase com direito a desconto de terceira idade e ao famoso passe…). É dos filmes mais famosos da nossa cinematografia. Este estatuto é merecido até certo ponto, por um lado a genialidade de António Silva por outro lado a teatralidade de Maria Matos é exagerada, mesmo que necessária no início do filme, peca claramente pelo arrastamento na parte final (não podemos, no entanto, deixar de prestar homenagem a uma das grandes actrizes cénicas Portuguesas). Este, não é mais do que um simples filme de amor de encontros e de desencontros. Havendo no entanto um interessante confronto de classes, bastante comum na sociedade Portuguesa dos anos 40 protagonizado pelas famílias tradicionais ainda agarradas ao estatuto de nobreza e fidalguia. Mas como sempre tudo acaba bem e os casais ficam juntos…ah como é boa a previsibilidade deste tipo de cinema, encontramos nela um conforto, uma ternura que perdura ao longo das décadas. Não são finais emocionantes, mas são finais quentinhos…

Ver um filme destes à lareira a bebericar cacau quente e a comer castanhas…que belo quadro. Quando chega o Inverno? Quero que seja agora, já hoje, que estou uma daquelas laricas, ui ui…

Não percam a explicação silviana (esta é que deve ser mesmo nova, até estala – qual nota de 20 escudos a sair da casa da moeda) sobre o funcionamento de uma telefonia…há coisas, hem?…o homem tem mesmo graça!

Filmes como este, e como a série de filmes #1.X baseiam muita da sua piada, não na trama em si mas nos pormenores e nos diálogos brilhantemente escritos.

terça-feira, outubro 09, 2007

Ainda se lembra?


Caro Leitor (leitor com L maiúsculo, porque para mim é o Senhor) lembra-se de nas passadas semanas ter referido umas comprinhas? Elas já chegaram! Este fim-de-semana quando cheguei a casa para o merecido descanso (que o trabalhinho ainda é uma coisa puxadota e por vezes cansativa), tinha à minha espera dois belos dvds. E que Prazer (porque o prazer também é importante…vai com P grande) é poder arrumar os dvds na estante e verificar como lá ficam bem…

sexta-feira, outubro 05, 2007

A compra da semana!

Se o MBnet cobrasse dinheiro, eu já estava desgraçado. Mas a verdade é que a loja cdwow colocou diversos títulos a 3£. Então lá teve de ser…já vem mais um dvd a caminho. Ora este dvd, já me tinha despertado interesse. Então cá vai…The League of Gentlemen’s Apocalypse (2005). Filme que vem na sequência da série da BBC The League of Gentlemen. Neste filme o universo de Royston Vasey vem ao encontro da realidade, e as personagens interagem com os criadores da série.

Encontro-me em estado de ansiedade para poder fincar as unhas nesta pérola. Agora não me venham é dizer que eu sou o porco.

P.S. – Alguém notou na série uma leve semelhança com o filme Delicatessen de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet? Alguém?

Respondam a esta pergunta nos próximos 27 segundos e habilitem-se a ganhar os dois filmes supra-citados.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Incorrigíveis!
Atenção atenção!
Diariamente (dias úteis que os outros já se sabe…são inúteis, não servem para nada) sai uma crónica em vídeo via web de alguns comediantes conhecidos aqui do rectângulo (analogia com a forma de Portugal), sobre temas que pá, sinceramente, não interessam nem ao menino Jesus. Mas, já se sabe como é, os gajos percebem da poda e aquilo é cómico, vá-se lá perceber como.

Basta Googlarem Incorrígiveis que vos aparece, os cronistas são (sem qualquer ordem): Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Bruno Nogueira, Herman José e um convidado semanal. Aconselho uma passagem por lá a quem não conhece, a quem já conhece continuo a aconselhar passar por lá, e deliciem-se com dissertações sobre a nova campanha da Carris ou sobre a correcta forma de pronunciar a palavra Piaçaba.

Eles são incorrigíveis e eu estou indignado por não ter sido convidado…ai que belas ideias eu tenho para partilhar com o mundo através de uma câmara…bem fica para a próxima, bem o mais certo é ficar para o próximo século porque bem vistas as coisas só digo mesmo dejectos de cavalo (que é como quem diz - horse shit).

quarta-feira, outubro 03, 2007

Saturday Night Fever (1977)

Olha este filme mítico!

Tinha comprado há uns dois meses uma edição simples deste filme que já tinha visto várias vezes nos velhinhos VHS (gravado da televisão, provavelmente com intervalos e tudo – the works), até que decidi vê-lo.

Que gozo me deu revisionar o filme, e pensar, meu Deus!!, as pessoas vestiam-se mesmo assim? Os anos 70 e a loucura do sexo das drogas e surpreendentemente aqui não o Roch n’ Roll mas sim o Disco sound. Este filme com o seu “Polyester look” fez com que o estilo de vida disco saísse da clandestinidade directamente para as pistas de dança de todo o mundo.

O filme é um musical, na medida em que a música tem um papel tão importante como o argumento e não porque as personagem começam inexplicavelmente aos saltinhos e a cantar. É também um filme cru que retrata as dificuldades da classe média baixa de brooklin. Tem um enredo sexista e racista, mas este politicamente incorrecto transmite-lhe uma sensação de realidade, que nos leva a compreender os problemas de uma sociedade em pré-implosão e das personagens.

John Travolta tenta, e consegue, com este filme dar o salto do pequeno para o grande ecrã. Como Vinnie Barbarino em Wellcome Back, Kotter, Travolta tinha conhecido a fama e precisava agora de se afirmar no cinema. Para tal dedica-se ao filme, passando vários meses a praticar as rotinas de dança e perdendo 10 Kg para poder ter uma figura mais esguia. Este filme foi um sucesso tremendo e Travolta conseguiu tornar-se um ícone da 7ª arte com o seu Tony Manero e no ano seguinte com Danny Zuko em Grease.

Rapaziada, bora lá tirar o fato branco do armário ver o filmezito e, as they say, dance the night away!

terça-feira, outubro 02, 2007

Ciclo de cinema # 1.2 - A Vizina do Lado (1945)

Mais uma volta, mais uma viagem. Estou de volta com o ciclo de cinema, esta semana temos A Vizinha do Lado de 1945, filme de António Ribeiro é uma comédia adaptada para cinema a partir de uma peça de teatro de André Brun. É sabido que André Brun é um cómico brilhante, mas poderia neste caso o argumento não se igualar à altura da peça. Não tendo visto a peça parece-me que António Lopes Ribeiro e Vieira de Souza fizeram um belíssimo trabalho, porque o filme é muito fluido, muito dinâmico, muito ao estilo de uma peça de teatro (todo o enredo do filme se passa em menos de 12 horas), mas sem a teatralidade clássica da representação.

No fundo é uma comédia romântica de época, notam-se aqui claras as alterações sociais e de posição de géneros que se vêm sentido desde a altura da trama, 1913, até à actualidade. Mas politica de sexos à parte é uma comédia muito interessante, vale muito a pena ser vista, mais que não seja pela presença, sempre genial, de António Silva (o melhor actor clássico Português de comédia).

Vejam e digam lá se o Plácido Mesquita (Nascimento Fernandes) é ou não igual ao Ernest P. Worrell (Jim Varnay).
A mudança
Ontem foi o grande dia, mudei de apartamento. O anterior foi satisfatório, este é longe!
É longe comó caraças, mas vendo bem as coisas parece que vai ser interessante, recheado das comodidades mais modernas. Não se preocupem as comodidades não me irão afastar do penoso trabalho que é ver dvds e comentá-los aqui. No entanto, ontem foi um dia chato – detesto mudanças – até porque como só estive um ano na casa anterior não tive aquele prazer indescritível que é encontrar algo que julgávamos perdido há muito ou que já nem sequer nos lembrávamos de ter possuído. E agora lá estou num apartamento que para mim é novinho, veremos quanto tempo dura a habituação, pode ser de uma semana a dois meses, nunca se sabe.

Após as mudanças tive uma reunião daquelas longas – 5 horas enfiado dentro de uma sala a discutir valores e depois estatística – quem disse que a ciência is all fun? Mas tem que ser o trabalhinho é de prata porque o descanso, esse é de ouro.

Tenho um prazo muito curto para a entrega de uma versão provisória da tese que associado ao trabalho e às compras para o novo quarto, me vão deixar muito pouco tempo livre, quer para os visionamentos quer para escrever estes trechos de poesia cinematográfica. Por isso esperem uma diminuição no número de posts nas próximas semanas que isto está a apertar.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Estou de volta
Qual Indiana Jones, voltei dos meus dias de campo. Depois de tal provação, já podem voltar ao regozijo diário de ler este boletim informativo.

Fui mais uma vez para o Alentejo, ex-celeiro de Portugal (o maior de todos os Portugueses tinha com cada uma!), e está a começar aquela altura catita em que a paisagem Alentejana fica verde, ou seja para além da calma natural sentida no Alentejo começa-se também a sentir uma certa serenidade celestial (aquilo tem dias de ser mesmo bonito…tou a dizer!).

O problema é mesmo a chuva que aí vem, ah pois é, lá vão ficar os rios cheios de água (mais trabalho para mim…vou levar cada tareia). Mas, mesmo assistindo a um monólogo sobre óleos de carro, sobrevivi a mais uma saída…até ao próximo mês!

terça-feira, setembro 25, 2007

A compra da semana!
Não vai ser uma rubrica semanal até porque não compro dvds todas as semanas. Mas tenho encontrado umas pechinchas e vai de usar o serviço MBNet. Então comprei um Western, ora este não é um género que seja muito representativo no meu aglomerado de dvds mas este junta dois dos mais famosos actores westernianos (mais uma, neologismos é comigo), Johm wayne e Robert Mitchum, ainda por cima legendado em PT que é uma raridade, mas que ainda se vai encontrando, o filme é o El dorado (1966) realizado por Howard Hawks.

No seguimento desta compra preparei dois dias de campo para sentir no corpo as provações destes homens (não esperem posts nos próximos dias), será que me vou safar…pelo menos peixe não vai faltar, assim espero. Pois é vai ser tudo nos conformes trabalho duro e tudo, e nada daquelas cenas à lá Brokeback que somos pessoas sérias…not that there’s anything wrong with that! (o universo seinfeldiano (outra!!!) é um poço de sabedoria)

Bem depois digo qualquer coisa deste western que não é Spaghetti…
Ciclo de cinema # 1.1

A Canção de Lisboa (1933)

Ora ora o que temos aqui? É mesmo o primeiro filme do nosso novíssimo serviço - ciclo de cinema – a ser apresentado ao respeitado público. Para nos situarmos correctamente no continum temporal este filme é tão somente o primeiro filme sonoro feito em Portugal. E não é que começamos logo em grande? Este é um grande filme do melhor que tenho visto nesta época do cinema mundial, elaborado quanto baste e cómico até mais não – “E a prova? A prova faz-se já aqui ao lado”.

A história todos conhecem, até porque este é um dos filmes mais aclamados da era dourada nacional, nunca enveredando por uma via demasiado dramatizada. Espantoso é o facto da realização do primeiro filme sonoro nacional tenha sido entregue, ainda que com aconselhamento, a um arquitecto e não a um realizador, isto fez com que houvesse uma visão alternativa de Lisboa e de alguns dos seus edifícios carismáticos, bem como uma visão mais estética dos planos.

A título de curiosidade, Manoel de Oliveira entra neste filme como actor, fazendo o papel de Carlos, um dos amigos de Vasquinho. É interessante quando sabemos que Oliveira, o realizador mais velho do mundo no activo, acedeu a entrar no elenco apenas com a finalidade pessoal de fazer espionagem cinematográfica, como ele diz : “queria ver como eles faziam”.

Pois bem, revejam este filme que vale a pena, mais que não seja porque a girafa está com problemas de fígado…

segunda-feira, setembro 24, 2007

Ciclo de Cinema
Caríssimos, vou tentar levar a cabo um conceito novo, um ciclo de cinema em blog (coisa chique). Pena é que só eu veja os filmes, portanto as opiniões vão ser unilaterais; no entanto, se acharem que cometi um crime na minha avaliação digam qualquer coisita que logo se vê.

Como, por norma, os ciclos de cinema estão associados a um tema ou a uma ideia que nos conduz ao longo das películas, este vai ser dedicado à era dourada do cinema Português – sim, estou a falar daqueles filmes que todas as pessoas conhecem mas cuja visualização é olvidada por muitos.

Não são rosas senhores mas são pérolas senhores.

Vou então tentar (que isto dos ciclos é capaz de custar) publicar um post por semana, não sei ao certo quantos filmes vou comentar, mas deve andar perto dos 5, 6 filmes, por isso aguardem, que vão receber criticas semanais pelo menos até ao pão-por-Deus – até já estou a ver os leitores com uma merendeira numa mão e o rato na outra, não os juntem porque senão é coisa séria.

Chapéus há muitos, mas filmes como o primeiro há poucos, seu palerma!

Será para mim esta do palerma? Vamos ver se este conceito tem sucesso e sucessão.

domingo, setembro 23, 2007

Villa
Este fim-de-semana passei por um local onde estavam a construir uma nova urbanização, uma pequena sequência de unidades habitacionais. Eis senão quando alguém que ia na viatura alertou para o facto de que o nome escolhido para escarrapachar na fachada da dita sequência era Vila com dois Ls – Villa.

Mas o que vem a ser isto? Parece-me uma clara apropriação de letras do alfabeto. Já que se opera uma adulteração da língua portuguesa porque não por 4 ou 5 Ls, o efeito é o mesmo, um claro desrespeito pelas convenções – ah pois é!

Penso que o objectivo é tornar o local mais selecto, como se um nome, ainda por cima com erros ortográficos, possa tornar um local mais selecto. Mas deve funcionar ao mesmo nível que as pessoas com nome estrangeiro que fazem questão de nos lembrar como se escreve. Havia um rapaz que eu conhecia que tinha um nome diferente e dizia com alguma soberba e altivez que o seu nome se escrevia com dois Ts – era questão para dizer olha e eu chamo-me Ferreira com dois Rs ou Tiago com um G…pronto parvoíces – mas há pessoas assim. Eu sou assim e um dia quero morar numa vivenda a que chamarei Villla Sooolll – ora tomem lá, isto é só cá por coisas – a inveja que as pessoas vão sentir, vou estar em casa e ouvir comentários na rua do género: Ena pá este gajo é mesmo selecto tem uma casa com um nome cheio de letras. Eu sei sou patético…mas selecto comó caraças!

sexta-feira, setembro 21, 2007

The Office (USA)



Há cerca de duas semanas chegou-me já com algum atraso (1 mês) uma caixinha com os quatro dvds da segunda série do The Office (USA). Esta é uma versão Norte Americana da série criada por Rick Gervais e Setephen Merchant. A série origina da BBc é uma das séries mais importantes do panorama contemporâneo, veio alterar os padrões da comédia televisiva e estabelecer novas metas para o séc. XXI – Brilhante, assombrosamente brilhante.

Mas este é um comentário à versão transatlântica (sim porque se a cooperação transatlântica é tão importante ao nível politico, porque não também ao nível deste blog…na realidade tenho é medo do poderio bélico deles, já viram se lhes desse na tola invadir este estamine…partiam isto tudo, e isso por mim não é Légale não senhor tenho muita pena mas não é) – provavelmente o parêntesis mais longo da história e arredores – é uma série que na essência é igual, como não podia deixar de ser, mas que desenvolve mais as personagens não principais. Aqui o patrão (Steve Carell) é uma personagem um pouco mais simpático mais afável e menos desprezível (e este é o brilhantismo da interpretação original de Rick Gervais), ficaqndo sempre os espectadores com um forte sentimento de pena do pobre Michael Scott. Mas, embora a recreação da personagem divirja um pouco da original, a interpretação de Steve Carell é muito boa atribuindo-lhe um cunho pessoal e é provavelmente a melhor faceta da série. Carell é de facto uma das melhores caras da comédia Norte Americana.

Há alguns aspectos que tornam esta série interessante, e um deles é a constante suspeita sobre a sexualidade de Michel Scott que assedia violentamente um trabalhador temporário da empresa. Esta série entreteve-me e eu apreciei-a, mas com sinceridade é pior que a versão inglesa (agora é que vêm ai os NAVY SEALS, que é como quem diz as focas Amaricanas…não resisti ao trocadilho fácil).
Compra da semana!
Ora cá vai fresquinha mais uma novidade da nouvelle vague (ena pá…o estrangeiro já vai até França…o céu é o limite) do blog.

Esta semana comprei o único volume que encontrei à venda de curtas-metragens do Buster Keaton. É verdade depois de ver o The General (1927) fiquei assaz curioso com o senhor que “deu a conhecer ao mundo o chapéu mais baixo do mundo”, a genialidade demonstrada no filme atrás referido impulsionou-me, como se de uma mola se tratasse, para a compra do Volume 3 das curtas de Buster Keaton.

Comprei na quarta-feira pelo site www.loaded247.com (site britânico) e ontem (quinta-feira) recebi o mail a anunciar o envio da obra directamente da América do Norte (ezquisito…mandei vir de Inglaterra, mas afinal…bem estamos na era da aldeia global). Espero ansioso para ver as três curtas inclusas no dvd.

quinta-feira, setembro 20, 2007

CDWOW

Já estava na altura de escrever umas linhas (ok, palavras que preenchem umas linhas) sobre a que para mim é a melhor loja de DVDs on-line. E porque é que a melhor? preços – este estamine pratica grandes preços e melhor que isso é o facto de oferecerem os portes de envio em todas as compras.
Tem uma oferta muito vasta de títulos e está bem organizado e apelativo. O principal problema é que não existem muitas edições legendadas em Português, mas, e falo por mim, as legendas não são o mais importante. Prefiro não ter legendas a ter um visionamento (só aqui é que consigo usar esta palavra, no dia à dia fica esquisito…pombas!) estragado por legendagens medíocres como acontece nas edições Portuguesas do Seinfeld, é realmente triste ver um portento do seriado cómico destruído por traduções piores que as automáticas de um qualquer site do género. Por isso o principal problema está arrumado, mas se dúvidas persistirem, comprem cds (aqui já não há problema com as traduções as músicas são em estrangeiro por isso...) que são consideravelmente mais acessíveis.

Convido a visitarem http://www11.cd-wow.com/ , ASAP (que cool usar acrónimos).

Toca a comprar…
Não divulguei neste blog, mas há já três dias que fiz um blog nos novos blogs do sapo para funcionar em paralelo com este. Os textos são os mesmos e colocados na mesma altura. Se preferirem passar por lá aqui fica o endereço: http://addcritics.blogs.sapo.pt/
500 €
Na continuação dos posts anteriores, aqui fica mais uma proposta do que fazer a 500 € se estiver a pensar em adquirir alguns dvds. Esta escolha cobre mais de 80 anos de cinema e vários géneros, é, quanto a mim, uma base já bastante completa para uma colecção, claro que faltam aqui obras importantes. Esta colecção pode ser construída ao longo de um ano com um investimento de cerca de 50 € por mês, pode posteriormente se completada por títulos de preferência pessoal e por mais algumas obras de referência.

Nosferatu (1922)
The General (1927)
A Canção de Lisboa (1933)
Gone With the Wind (1939)
The Great Dictator (1940)
O Pai Tirano (1941)
O Leão da Estrela (1947)
Rear Window (1954)
Psycho (1960)
My Fair Lady (1964)
Il Buono, il Brutto, il Cattivo (1966)
A Clockwork Orange (1971)
The Godfather Triology (1972-1990)
Fawlty Towers 1 & 2 (1975-1979)
Annie Hall (1977)
Chariots of Fire (1981)
Goodfellas (1990)
The simpsons season 2 (1990-1991)
Seinfeld season 3 (1991-1992)
The Shawshank Redemption (1994)
Pulp Fiction (1994)
Seven (1995)
Braveheart (1995)
Trainspotting (1996)
La Vita è Bella (1997)
Good Will Hunting (1997)
Cnar Macka, Beli Macor (1998)
Fight Club (1999)
Snatch (2000)
Moulin Rouge (2001)
Shreck (2001)
The Ring (2002)
Goodbey Lenin! (2003)
American Splendor (2003)
Little Britain seasons 1 & 2 (2003-2004)
The Incredibles (2004)
Sin City (2005)
Poirot – Os Filmes vol. 1

quarta-feira, setembro 19, 2007

250 €

A premissa é: não tenho dvds. O que posso comprar com 250 € de modo a ter um bom leque de opções? Resposta: Com 250 € já se consegue ter uma colecção base com alguma consistência. Tentei também aqui abarcar um vasto leque de opções. Se consegui ou não, não sei…

The General (1927)
Gone With the Wind (1939)
The Great Dictator (1940)
My Fair Lady (1964)
A Clockwork Orange (1971)
Fawlty Towers 1 & 2 (1975-1979)
The simpsons season 2 (1990-1991)
The Shawshank Redemption (1994)
Pulp Fiction (1994)
Seven (1995)
Braveheart (1995)
Trainspotting (1996)
Fight Club (1999)
Snatch (2000)
Moulin Rouge (2001)
Shrek (2001)
Good Bey Lenin! (2003)
Little Britain seasons 1 & 2 (2003-2004)
100 €

A premissa é: não tenho dvds, o que posso comprar com 100 € de modo a ter um bom leque de opções? Resposta: embora a oferta de dvds seja cada vez superior e a preços mais baixo, com 100 € não se compra muita coisa, mas podemos ter um leque engraçado de opções. Este pode ser um núcleo duro que se pode alargar com algumas adições esporádicas de obras.

Modern Times (1936)
Fawlty Towers 1 & 2 (1975-1979)
The Shawshank Redemption (1994)
Pulp Fiction (1994)
Seven (1995)
A Beautiful Mind (2001)
Shrek (2001)
Moulin Rouge! (2001)

P.S. (mais um) - Esta escolha foi feita com base no meu gosto pessoal tentanto abranger vários tipos de cinema. Qualquer outra pessoa teria feito outras escolhas.
AVISO à Navegação!

Tenho andado a matutar em ideias para realizar neste blog. Tenho uma ideia antiga que gostava muito de concretizar, mas há aqui um factor a ter em conta e esse é o facto tempo (os minutinhos são preciosos) - vaiter que ficar para depois. Mas...

...uma delas vai passar a cena neste seu espaço.

Vou pegar em diferentes somas de dinheiro (dinheiro virtual que o outro é caro) e comprar a melhor colecção de dvds que conseguir com esse dinheiro (em termos aproximados). Vou tentar que estas colecções representem vários estilos, obras importantes e obras de puro entretenimento. Aqui não se vai tratar apenas de listas de melhores filmes ou séries, mas uma tentativa de construir uma colecção equilibrada. Vamos ver se não faço porcaria da antiga...não seria inédito, mas claramente indesejável.

terça-feira, setembro 18, 2007

Poirot and his little grey cells



As histórias de Agatha Christie interpretadas por David Suchet são viciantes, e este é um vício com um elevado factor de contágio (alastra como fogo em mato seco).

David Suchet é quanto a mim e dos actores que vi interpretar o famoso detective o melhor, eleva a fasquia a um patamar que torna difícil a tarefa de um qualquer sucessor interpretativo.

Hercule Poirot (David Suchet) é um detective muito famoso que trabalha a partir do seu apartamento em Londres, a base do seu sucesso é o seu poder induto-dedutivo alicerçado na psicologia da mente humana. É coadjuvado (é a primeira vez que escrevo esta palavra e milagre dos milagres – não fosse eu religioso…- não cometi um impropério ortográfico) pelo seu amigo Cap. Hastings (Hugh Fraiser) e pelo inspector-chefe Japp (Philip Jackson), no entanto ambos não passam de meros auxiliares narrativos uma vez que o desenlace cai sempre sob a responsabilidade de Hercule (sinto-me tão familiarizado com a personagem que até já estou on first name basis com a dita). Este senhor é apaixonante pelos pequenos detalhes, o estar sempre impecavelmente vestido, a sua inadequação a locais menos aprazíveis, a bengala, os óculos, os inacreditáveis pequenos almoços, o bigode diagnosticante, e uma que aprecio particularmente é o facto de uma personagem tão brilhante, pelo simples facto de ser Belga, se enganar em algumas palavras inglesas e do seu deleite quando aprende um novo vocábulo.
A reconstituição dos anos 30 é muito bem feita, quer em termos de decor como da própria estrutura social. É uma série que embora não pareça é pontuada de ideias políticos sobretudo anti-nazis numa antevisão profética da segunda guerra mundial

Prefiro os filmes aos episódios da série, a construção e intrincado da acção é muito maior e mais complexo tornando a resolução do caso muito mais apaixonante e inverosímil. As edições Portuguesas dos filmes em três digipacks são das melhores que tenho visto, sobretudo do primeiro volume (uma das edições mais bonitas que possuo). Peca em termos de edição por serem simples feature films, sem qualquer extra.



segunda-feira, setembro 17, 2007

Os Melhores Scktechs de Monty Python

Ora cá vai fresquinho o primeiro heads up da nova vaga…

É sabido o meu apreço pela obra de Monty Pyton (ainda não desbravei completamente o The Pythons' Autobiography By The Pythons, que segundo o blog http://havidaemmarkl.blogs.sapo.pt vai ter tradução para Português), o The Holy Grail é perfeito. Sendo assim não podia deixar de ficar entusiasmado por dar esta noticia…Amanhã dia 18 de Setembro de 2007, estreia no Casino de Lisboa – Os Melhores Scktechs de Monty Python – (ler em voz alta e profunda com carregado sotaque britânico).

É uma tradução e adaptação de Nuno Markl, que como ele próprio diz foi feita com amor. Eu acredito que sim, e, pelo que sei o amor é sentido por muitos, uma vez que os ensaios gerais estiveram esgotados e as vendas para os espectáculos seguem a bom ritmo. O elenco é constituídos por alguns dos melhores actores da nossa praça com capacidade comprovadas para apresentarem textos com comicidade, a saber: José Pedro Gomes, António Feio, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira e Jorge Mourato. A não perder (mais uma vez com a voz supra-citada).

Ainda não assisti, espero assistir, mas por enquanto não posso dar uma opinião formada, apenas formata pelo que li, no entanto só se esperam boas coisas – quanto mais não seja pela qualidade dos textos originais e do adaptador luso.

P.S. 1 – Atenção o humor Pythonesco não para todos (este agora podia ser lido como a parte final de alguns anúncios que dizem – não despensa leitura do prospecto e consulta médica)

P.S. 2 – Espero que nesta nova abordagem os irritantes Post Scriptum não se tornem vulgares, porque a vulgaridade é coisa que chateia.
P.S. 2.1 - Como diria Yul Brynner “Shall it be written, shall it be done” – e tenho dito - irra.
O novo fio de Ariadne
Pois é!

A periodicidade de textos postados (estas palavras novas dão mais substância ao texto, mais que não sejam por não concordarem com elas) neste blog tem sido baixa, muito baixa mesmo. Pelo que, os leitores fiéis deste blog (sim, estou a falar para vocês os dois) deixaram de o ser, não pela falta de qualidade dos textos, mas pela inexistência de textos para ler.

Decidi então tentar uma reformulação da minha postura em relação ao blog; agora é que este folhetim vai ficar famoso. Vamos ter novos tipos de posts, mais frequentes, assim espero, e mais diversificados. O núcleo do blog vai continuar focado sobre as edições em dvd de filmes e séries e sobre as recomendações para a construção de dvdtecas interessantes. Vamos ainda fornecer recomendações ou chamadas de atenção (heads up) para coisas que vão acontecendo no panorama cultural e que merecem atenção.

Espero que fiquem agradados pela nova abordagem que aí vem.

P.S. 1 - Pensei em dizer o famoso “I’ll be back” imortalizado por Schwarzenegger, mas depois apercebi-me que seria mais correcto um I’m back, como não me lembrei de nenhuma quote famosa com esta mensagem imponente…não disse.

P.S. 2 – É desta que escapo, escapamos todos, ao Minotauro.

segunda-feira, agosto 06, 2007

The General (1927)

Uma das mais reconhecidas, se não a mais reconhecida, obras de Buster Keaton. Baseado numa história verídica, “The General” é um filme cómico de acção em que apenas um homem (Keaton) persegue e enfrenta todo o exército do Norte na Guerra de Secessão.

Este filme tem a cena mais cara de sempre de um filme mudo em que um comboio vai a passar numa ponte que se desmorona, caindo a ponte e o comboio no rio que passa por baixo; tudo a bem do cinema real.

Com gags físicos excelentes, este é um filme com planos complexos e com uma linha narrativa interessante. A qualidade da edição também é muito interessante, edição de 2 discos em digipack.

quinta-feira, maio 24, 2007

Belarmino (1964) – A personificação da Lisboa dos anos 50 e 60

Belarmino Fragoso, engraxador, boxeur, colorista de fotografias.

Na Lisboa perdida, na noite boémia dos cabarés cafés e clubes nocturnos, percorremos a vida ao lado de Belarmino. Rapaz da cidade, da Mouraria pobre, percorre os Restauradores e o Rossio, tenta ganhar dinheiro para comer uma bola de berlim e beber um copo de leite como ele diz. É um homem com uma vida difícil, foi a promessa do boxe profissional Português que como tantas outras coisas não foi. O’neil dedicou-lhe um poema em que diz mesmo isto, tinha o jeito que todos temos, mas que ficou sem murro.

Será esta personagem uma figura de estilo descritiva da nacionalidade, da doença grave, como diz Batista Bastos, que é ser Português?

Este é um filme com uma estética muito interessante, um filme que tem que, deve, ser visionado repetidas vezes para perceber a complexidade inclusa na sua simplicidade, na movimentação na fluidez de Belarmino. Fernando Lopes introduz, em conjunto com um grupo de músicos do Hot Club, uma banda sonora cuja base é o jazz e o jazz truncado com bossa nova, numa clara colagem aos sons vanguardistas da época, podendo mesmo fazer-se quase uma leitura política, uma vez que estas sonoridades eram tidas como subversivas.

Num estilo documental Lopes e a narrativa de Bastos transportam-nos para uma realidade esquecida das pessoas que têm uma vivência difícil, para as quais se tem que aguentar mais um pouco para conseguir transpor o dia. Belarmino dizia, numa tentativa de esquiva ou numa visão frontal e prática que fome nunca tinha passado, que fome de três dias não é fome, que às vezes apetecia-lhe almoçar ou jantar e não podia, mas que isso não é fome. Há em Belarmino uma certa incoerência e uma pureza quase ingénua que nos faz torcer por ele, tornando-se no herói. Herói que quase foi nunca foi, mas é na sua cabeça e na nossa, o Belarmino boxeur que nunca perdeu um combate apesar da fome e da constante procura da sobrevivência e subsistência da sua família.

É um filme que aconselho a ver e a rever, acompanhado com a visualização dos extras que neste caso ajudam claramente a uma melhor compreensão dos diferentes níveis estruturais de Belarmino.

terça-feira, janeiro 16, 2007

The Illusionist – Aquilo que os olhos não vêem…

Este é um filme dotado de uma beleza transbordante e invulgar. É um filme que sobressai pela maneira como é filmado, pela conjugação perfeita de luz e sombra. O realizador Niel Burger, praticamente desconhecido revela-se aqui de uma forma muito madura, conseguindo uma boa fluidez narrativa, capaz de nos transportar no tempo apenas com técnicas cinematográficas. The Illusionist não se demarca dos restantes devido à história nem às interpretações mas pelo conjunto avassalador que estas fazem com a fotografia. Sem dúvida o melhor filme que vi no último ano, simplesmente brilhante.
Casino Royale – O retorno à acção

Este é um filme que fez correr muita tinta antes de ter estreado, antes mesmo de ter sido filmado. Daniel Craig foi tudo menos um nome CONSISTENTE entre os fans de Bond. Amado por uns, odiado por muitos, Craig teve realmente de provar o que valia neste filme.

Casino Royale apresenta-nos Bond antes da obtenção da licença 00. Este é sem dúvida mais duro, mais primitivo que as caracterizações feitas pelos outros 5 actores, um Bond sem os vícios da alta sociedade (inaudível é o facto de não pedir um Vodka Martini shaken not sterd!). Neste filme existe um menor recurso aos gadjets, havendo apenas uma menção a Q (sem qualquer aparição), dependendo o sucesso de bond, muito mais das suas capacidades físicas.

È bastante bem conseguido, sendo uma mistura do bond de Pierce e de Conery com um toque da saga missão impossível. Tentando aliar o charme ao musculo. A parte mais importante do filme é o jogo de póquer. É aqui que o filme falha, há uma clara falta de ligação de Bond com o Vilão (Le Chiffre – Mads Mikkelsen) limitando a intensidade das cenas.

No computo geral é um bom filme, mas ao qual falta a intensidade que o tornaria ainda melhor.

Eragon – A fábula do Herói

Adaptado do livro homónimo de Cristopher Paolini, Eragon é uma história de lendas de heróis e em última análise da superiorização do bem sobre o mal. Numa época de trevas a esperança renasce sobe a forma de um dragão e do seu cavaleiro. O mundo de magia é contagiante com cenários extraordinários e uma animação quase real.

Mas como nem tudo são rosas, a iluminação na sequência inicial do filme está exagerada, havendo uma notória artificialidade. Digno de nota é ainda um erro de montagem sensivelmente a meio do filme, pormenor que se espera ver corrigido na edição em DVD.

O filme tem um défice de intensidade em termos de continuidade. Embora a construção seja a correcta, começa com um enquadramento ligeiro e prossegue com incrementos inconstantes de intensidade, atingindo um pico de intensidade na altura indicada; falta intensidade ao filme. Parece-me ter havido um claro erro de casting no que refere ao rei, John Malkovich embora um excelente actor não tem o perfil indicado para esta personagem. O rei e ex-cavaleiro de dragões é uma personagem negra que iria beneficiar de um actor um pouco mais duro. Malkovich deixa as despesas dramáticas para Robert Carlyle que tem aqui mais uma interpretação muito consistente.

Espera-se o segundo filme para melhor avaliar o conjunto…por enquanto é um filme agradável mas sem grandes aspirações.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Friends – the unexpected guild…

Esta série é provavelmente a mais popular das séries cómicas Norte Americanas. Com um enredo raramente intrincado, um grupo de 6 amigos encontra-se num café de esquina junto ao Central Park e discutem as peripécias vividas singularmente numa cidade que se lhes apresenta cheia de possibilidades. Cada um tem características muito próprias que se complementam entre elas, tornando o grupo mais próximo e quase um organismo vivo. Há um certo conforto na ideia de partilha exercida por estes amigos e pela eleição de um café para sala de estar comum.
Os textos estão muito bem escritos, notando-se no entanto uma degradação progressiva de qualidade e diminuição do número de apontamentos cómicos com a crescente popularidade da série e possivelmente com a pressão em prolongar a trama. Como exemplo da notoriedade de “Friends” cada um dos membros do elenco principal auferiu um milhão de dólares por cada episódio da décima série.

Acabou de ser editada em Portugal a décima e última série de “Friends”, havendo assim a totalidade das séries editadas separadamente, bem como uma edição limitada das 10 séries de forma conjunta. É uma colecção muito interessante que torna apetecível qualquer dvdteca.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Lady in the water – Acredita numa história de crianças?

Realizado e escrito por M. Night Shyamalan, “Lady in the water” é um filme muito interessante, explorando o misticismo das fabulas e lendas passadas verbalmente entre gerações à beira da fogueira. Este mundo fantástico vem, no filme de Shyamaln, ao encontro da sociedade moderna, onde várias pessoas com diferentes bagagens culturais e diferentes vivências se deixam envolver numa busca interior pela felicidade e pela conquista suprema do bem sobre o mal, tendo por objectivo primordial salvar o mundo. O argumento é muito bom, havendo no entanto alguma falta de profundidade em certas sequências. Parece-me que o cenário do filme é um pouco minimalista perdendo o filme com a envolvencia; é, no entanto, possível que esta escolha de cenário seja consciente tentando trazer para primeiro plano a realidade mundana das personagens em contraponto com a realidade etérea das personagens ficcionadas. É no entanto um filme muito agradável que recomendo a todos. M. Night Shyamaln está a tornar-se dos realizadores mais interessantes e consistentes de Hollywood, um realizador/argumentista que vale a pena seguir.

terça-feira, outubro 03, 2006

Grouxo Marx – Histórias curtas e grossas

E porque o cinema não é só filmes mas também pessoas e vivências pessoais, aqui fica a referência a um livro cujos escritos são de um ícone de uma era. A era de ouro.
Para além de criar personagens cativantes ao ponto de se tornarem uma avalanche permanente de duplos significados, Marx, Groucho, também escrevia. Começou a faze-lo ainda como ilustre desconhecido, na altura em que o salário de uma semana mal cobria os gastos do quarto de hotel.
Histórias curtas e grossas é uma compilação de textos escritos por Groucho. Os textos são reflexões sobre a actualidade (à época) Americana, sobre o sentido das políticas, sobre a sociedade. Reflexões das quais um sentido critico carregado de jocosidade não pode ser alheado. O uso da comédia serve para tornar os textos mais poderosos e a critica mais acérrima. O facto de Groucho ser um actor de primeira linha ajudou à publicação dos textos por periódicos de excelência, permitindo-lhe expressar-se de uma forma abrangente na cultura social Americana dos anos 20 e 30 do século passado. Woody Allen disse que uma das razões pela qual vele a pena viver é pela existência de Groucho Marx. A verdade é que nunca se atinge o pleno de compreensão de um filme dos irmãos Marx apenas com uma visualização, a profundidade é demasiada.

Aqui fica a primeira referência a um livro pelo Addcritics, mas mais estão na calha…

quinta-feira, agosto 31, 2006

Little Britain – To Know the moral fibre of the British people


Esta série criada e interpretada por Matt Lucas e David Walliams, é uma desconstrução atípica do Reino unido, do seu antigo império e sobretudo dos habitantes da Grã-Bertanha. Assenta num vasto leque de personagens, interpretados na maioria pelos próprios criadores, grotescos e de certa forma caricaturados ao extremo. “Little Britain” põe o dedo na ferida ao fazer repetidas alusões a tabus que assolam as sociedades actuais, tentando uma reformulação social ainda que fictícia. O facto de não se importarem de levarem ao extremo a caricatura e de se exporem ao ridículo, Matt e David mostram que a nova geração de comediantes ainda consegue criar, escrever e interpretar com uma qualidade extrema. Seguindo a escola da observação esta série pega nas abundantes pequenas idiossincrasias da sociedade de uma forma tal que as elevam ao patamar de cómicas jocosas. Ainda sem grande expressão no nosso país em termos de seguidores, esta é uma série que rapidamente se tornará um clássico da BBC. Existem editadas em Portugal as 2 primeiras séries sendo que a terceira ainda não foi editada em nenhum país.

terça-feira, agosto 29, 2006

Black Books – a terrível inconveniência da existência de clientes

Esta série britânica é um excelente exemplo de que nem só a BBC produz séries cómicas de qualidade. Criada por Dyla Moran, “Black Books” retrata a vida de um dono de uma livraria alfarrabista (Bernard Black – Dylan Moran) que despreza os clientes e o empregado (Manny – Bill Bailey), tendo como única amiga Fran (Tamsin Greig). Black tem uma existência devotada aos livros, que lê compulsivamente, ao tabaco e ao vinho que lhe dão o seu único prazer genuíno. A Manny cabe o papel de impedir a autodestruição de Berned enquanto tenta tornar a livraria lucrativa. É uma série com um sentido de humor muito apurado, que gira em torno das relações dos três personagens, com sequencias verdadeiramente assombrosas do ponto de vista do impacto cómico que proporcionam. Toda a envolvência da loja nos transporta para um imaginário pacífico de uma pequena livraria de bairro, contrastando com a exuberância comportamental de Bernerd Black. É sem dúvida uma série muito bem conseguida que o addcritics aconselha vivamente. Existem três séries, nenhuma editada em Portugal, mas é bastante fácil encontrar esta série importada (sem legendas em Português).

terça-feira, agosto 01, 2006

On the water front – 1954 – O sacrifício em nome do Amor

Filme protagonizado por Marlon Brando, tornado um épico moralista. Um ex-pugilista trabalha nas docas como estivador e, ocasionalmente, faz alguns favores ao patrão corrupto do sindicato dos estivadores. Terry Malloy (Brando) revolta-se contra um crime cometido no cais e sentimentos de culpa começam a assolar-lhe a consciência. A sua aproximação a Edie Doyle (Eva Marie Saint), irmã do falecido, e consequente paixão levam Malloy a testemunhar contra o crime organizado.
É um filme comovente da luta de um homem contra os poderes instituídos e dos conflitos morais e sociais pelos quais tem de passar para que o bem triunfe. Está carregado de mensagens moralistas ao bom estilo americano, sempre a tentar introduzir bons princípios nos filmes. Este é de resto um apanágio do realizador (Elia Kazan) que, embora com outro tema, direccionou também “Gentlemen’s Agreement” para os princípios que devem reger uma sociedade. Um bom filme que não perde nada pela “idade” que tem, simples, directo, memorável.

sábado, julho 01, 2006

Sin City – o triunfo aguardado da estética vanguardista negra

Este é sem duvida o melhor filme de 2005! É um filme que deixa o espectador espantado pela realização pelo impacto visual pela brutalidade crua mas estilizada da realização. Este é um filme brilhante. Os textos são excelentes a realização é irrepreensível. É um título dotado de uma estética alternativa que traz uma lufada de ar fresco, não só pela utilização da cor, mas também pelos planos e ângulos adoptados pela realização. Um filme que não cresce com o decorrer da acção, é grande desde a primeira à última cena. Realizado por Frank Miller e por Robert Rodrigues, com uma participação especial de Quentin Tarantino; “Sin City” tem por base a obra de banda desenhada de Frank Miller. Três estória entrelaçam-se numa estética muito fiel há BD. Este filme vale, e surperioriza-se a muitos pela estética, pelos diálogos e narrações e pelo forte carisma de todas as personagens. Aqui não há boas pessoas apenas heróis negros... This one will keep you in the edge of the seat!
The Usual Suspects – A mestria do verdadeiro mindtwister

Como já dizia Renault em “Casablanca” – “ Round up the usual suspects”. Este filme estabeleceu um novo padrão nos thrillers. O final é memorável, assim como uma interpretação magistral de Kevin Spacey como Verbal Kint. Interpretação que lhe valeu um óscar de melhor actor secundário. “Usual Suspects” dá vida a uma dos mais famosos vilões do cinema, Keyser Söze. A maior parte do filme decorre durante um interrogatório a Verbal, havendo recurso a flashbacks sucessivos, recriando a história do crime através da imaginação fértil de Verbal. É um filme que deixa o espectador a pensar no filme, a fazer uma reconstrução mental do filme. É um deleite intelectual. Pena é que não seja um filme apropriado para visualizações sucessivas, mas deixa recordações permanentes de um dos maiores mindtwisters de sempre.

sexta-feira, junho 30, 2006

Boxoffice # 3 - Cars


O realizador de “Toy Story” (John Lasseter) traz-nos, em parceria com John Ranft, mais um filme de animação. Este novo filme da Pixar não rompe com o passado e não é um salto em frente para a indústria. No entanto este “Cars” é um filme agradável com alguns pormenores interessantes. Conta a história já antiga de um jovem arrogante que encontra a razão no amor, na amizade e na experiência dos personagens que encontra no desenrolar da trama. O herói altera a sua maneira de ser encontrando nos amigos a sua verdadeira identidade acabando no fim a amizade por triunfar. É um hino à amizade e às relações interpessoais. É um daqueles filmes que se aconselha ver em família, sem nehumas preocupações de não perder o fio condutor. É um filme sem ideais artísticos, sendo um filme bonito e agradável. A ressalva é aqui necessária, não se pode comparar este filme a “The Incredibles”, “Shrek” ou “Corpse Bride”.

segunda-feira, junho 26, 2006


Monty Python and the Holy Grail – A eterna busca do Rei Artur, mas revestida de uma comicidade gritante.

Os Reis da comédia fazem neste filme mais uma encenação do episódio ficcionado da busca do Santo Graal pelo Rei Artur e da criação de um sonho, Camelot. Este é o melhor filme da trupe, realizado por dois Pythons (Terry Gilliam e Terry Jones). É um filme composto por inúmeros elementos cómicos, muitos só visíveis e perceptíveis na segunda ou terceira visualização. Conseguindo mesmo após múltiplas visualizações manter uma frescura rara na comédia actual. Desde o facto de os cavaleiros não terem cavalo ao facto de Sir Robin não ser tão bravo como Sir Lancelot daí o nome Sir Robin the Not-Quite-So-Brave-as-Sir Lancelot. É uma produção muito Low Budget mas conseguindo mesmo, com mestria, aumentar mesmo a vertente cómica do filme uso das animações é um recurso intensamente explorados pelos Monty Python havendo neste filme um casamento perfeito com a sequência do filme, adaptando-se a narração à animação de forma completa e muitas vezes melhor do que noutras produções do grupo. Os pormenores cómicos multiplicam-se, sendo este filme capaz de proporcionar um serão reconfortante com a certeza de ver comédia interessante e segundo alguns, erudita. È uma adição profundamente essencial a uma boa dvdteca. Esta vai ser aquela edição que não se vai cansar de ver, num prazer sádico pela perfeição de momentos cinematográficos pautados por uma excelência que urge reaparecer no plano do cinema mundial.
Ctizene Kane - O mundo a seus pés

Orson Wells escreveu, realizou e actuou num dos filmes mais aclamados de sempre pela critica. Considerado por muitos o melhor filme de todos os tempos. Wells mostrou ao mundo este filme quando tinha apenas 25 anos, denunciando desde logo uma genialidade sem par na década de 40. Este filme marcou um ponto de viragem no modo de realizar e no modo de contar uma história. Começando pelo fim, deixa, na última palavra de Kane, uma pergunta no ar – Rosebud. What does it mean?
È esta a pergunta à qual se tenta responder no decorrer da trama que se reveste de flashbacks. Flashbacks estes que permitem ao espectador um vislumbre da vida de Kane o maior magnata dos media. Acabando o filme sem a investigação levada a cabo por um jornalista obter uma resposta. No entanto na infância reside a felicidade e a resposta…