Sábado, Fevereiro 06, 2010

SPAM!

Continuando com Python ao pequeno-almoço, nada melhor do que SPAM, SPAM and SPAM.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Invictus

A baixo transcrevo o poema de William Earnest Henley (1849–1903). Intitulado “Invictus” por Arthur Quiller-Couch em 1900 aquando da sua inclusão no “The Oxford Book Of English Verse”. Aqui está o poema publicado em 1888:

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

No filme Invictus (2009) de Clint Eastwood, este poema tem um papel muito importante, ao ser entregue por Mandela ao capitão da selecção nacional de Rugby Sul Africana e por inspirá-lo a ganhar o campeonato do mundo, carregando e unificando assim, uma nação dividida por diferenças culturais e raciais. No entanto o texto que, factualmente, Mandela entregou a Pienaar for um excerto do discurso de Theodore Roosevelt “The Man in the Arena” proferido em 1910 numa visita à Sorbonne em Paris. Abaixo segue o excerto que se considera o mais emblemático do dito discurso:

It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.”

Haka???

Hoje vi isto:


E lembrei-me disto:

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Python ao pequeno-almoço

Porque estou a ver isto


Lembrei-me de vos mostrar isto



A maneira como a lingua inglesa é aqui tratada é brilhante. O ritmo é fabuloso

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Óscares 2010 - Nomeados

Chegou aquela altura do ano em todas as nossas anteninhas cinéfilas se direccionam para Los Angeles. Os nomeados para as estatuetas douradas foram anunciados. Estão fresquinhas como a brisa da manhã num dia de Primavera.


Este ano com a já conhecida novidade de haver 10 nomeados para melhor filme. Não é inédito, nas décadas de 30 e 40 era frequente a nomeação de dez filmes para a categoria rainha dos Oscars. Em 1934 e 1935 os nomeados atingiram o número recorde de 12. Na edição de 1945 o número passou a ser fixo, 5 nomeados, norma que se manteve até 2009. Este passo por parte da academia encerra uma preocupação e uma viragem por parte da academia que assim passa a dar hipótese de concorre a melhor filme do ano, filmes com aspirações artisticas mais limitadas. Estes filmes são normalmente grandes sucessos de bilheteira e por agradar a um grande número de espectadores. Temos assim, como de resto já seria de esperar, blockbusters e filmes de animação, que normalmente não encontravam espaço para entrar nos 5 nomeados, na corrida.


O que espoletou esta alteração? Para mim foi a não nomeação de “Wall.e” para melhor filme na edição de 2009 da cerimónia.


E, os nomeados são (rufar de tambores):


BEST PICTURE
* Avatar
* The Blind Side
* District 9
* An Education
* The Hurt Locker
* Inglourious Basterds
* Precious
* A Serious Man
* Up
* Up in the Air

BEST DIRECTOR
* James Cameron — Avatar
* Kathryn Bigelow — The Hurt Locker
* Quentin Tarantino — Inglourious Basterds
* Lee Daniels — Precious
* Jason Reitman — Up in the Air

BEST ACTOR
* Jeff Bridges
* George Clooney
* Colin Firth
* Morgan Freeman
* Jeremy Renner

BEST ACTRESS
* Sandra Bullock
* Helen Mirren
* Carey Muligan
* Gaborey Sibide
* Meryl Streep


BEST SUPPORTING ACTOR
* Matt Damon
* Woody Harrelson
* Christopher Plummer
* Stanley Tucci
* Christoph Waltz

BEST SUPPORTING ACTRESS
* Penelope Cruz
* Vera Farmiga
* Maggie Gyllenhaa
* Anna Kendrick
* Mo’Nique

BEST ORIGINAL SCREENPLAY
* Marc Boal– The Hurt Locker
* Quentin Tarantino — Inglourious Basterds
* Alessandro Camon & Oren Moverman — The Messenger
* Joel Coen, Ethan Coen — A Serious Man
* Bob Peterson, Pete Docter, Story by Pete Docter, Bob Peterson, Tom McCarthy — Up

BEST ADAPTED SCREENPLAY
* Neill Blomkamp and Terri Tatchell — District 9
* Nick Hornby — An Education
* Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci, Tony Roche — In the Loop
* Geoffrey Fletcher — Precious
* Jason Reitman and Sheldon Turner — Up in the Air

BEST ANIMATED FEATURE
* Coraline — Henry Selick
* Fantastic Mr Fox — Wes Anderson
* The Princess and the Frog — John Musker and Ron Clements
* The Secret of Kells — Tomm Moore
* Up — Pete Docter

BEST ART DIRECTION
* Avatar: Art Direction: Rick Carter and Robert Stromberg; Set Decoration: Kim Sinclair
* The Imaginarium of Doctor Parnassus: Art Direction: Dave Warren and Anastasia Masaro; Set Decoration: Caroline Smith
* Nine: Art Direction: John Myhre; Set Decoration: Gordon Sim
* Sherlock Holmes: Art Direction: Sarah Greenwood; Set Decoration: Katie Spencer
* The Young Victoria: Art Direction: Patrice Vermette; Set Decoration: Maggie Gray

BEST CINEMATOGRAPHY
* Avatar:Mauro FioreHarry Potter and the Half-Blood Prince: Bruno Delbonnel
* The Hurt Locker: Barry Ackroyd
* Inglourious Basterds: Robert Richardson
* The White Ribbon: Christian Berger

BEST COSTUME DESIGN
* Bright Star –Janet Patterson
* Coco before Chanel — Catherine Leterrier
* The Imaginarium of Doctor Parnassus — Monique Prudhomme
* Nine – Colleen Atwood
* The Young Victoria

BEST DOCUMENTARY
* “Burma VJ” Anders Østergaard and Lise Lense-Møller
* “The Cove” Nominees to be determined
* “Food, Inc.” Robert Kenner and Elise Pearlstein
* “The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers” Judith Ehrlich and Rick Goldsmith
* “Which Way Home” Rebecca Cammisa

BEST EDITING
* “Avatar” Stephen Rivkin, John Refoua and James Cameron
* “District 9″ Julian Clarke
* “The Hurt Locker” Bob Murawski and Chris Innis
* “Inglourious Basterds” Sally Menke
* “Precious: Based on the Novel ‘Push’ by Sapphire” Joe Klotz

BEST FOREIGN FILM
* “Ajami” Israel
* “El Secreto de Sus Ojos” Argentina
* “The Milk of Sorrow” Peru
* “Un Prophète” France
* “The White Ribbon” Germany

BEST MAKEUP
* “Il Divo” Aldo Signoretti and Vittorio Sodano
* “Star Trek” Barney Burman, Mindy Hall and Joel Harlow
* “The Young Victoria” Jon Henry Gordon and Jenny Shircore

BEST ORIGINAL SCORE
* “Avatar” James Horner
* “Fantastic Mr. Fox” Alexandre Desplat
* “The Hurt Locker” Marco Beltrami and Buck Sanders
* “Sherlock Holmes” Hans Zimmer
* “Up” Michael Giacchino

BEST ORIGINAL SONG
* “Almost There” from “The Princess and the Frog” Music and Lyric by Randy Newman
* “Down in New Orleans” from “The Princess and the Frog” Music and Lyric by Randy Newman
* “Loin de Paname” from “Paris 36″ Music by Reinhardt Wagner Lyric by Frank Thomas
* “Take It All” from “Nine” Music and Lyric by Maury Yeston
* “The Weary Kind (Theme from Crazy Heart)” from “Crazy Heart” Music and Lyric by Ryan Bingham and T Bone Burnett

Como nota de rodapé, queria apenas referir que a norma se mantém, Meryl Streep mais uma vez nomeada - pela 15ª vez. Os também veteranos de nomeações Daniel Day Lewis e Clint Eastwood falham as nomeações para este ano. O filme revelação, “District 9”, consegue garantir um lugar entre os 10 magnificos. O que não acontece com os quasi-homónimos “Nine” para melhor filme e “9” para melhor animação. E estes foram os meus primeiros tuppence worth sobre os nomeados 2010 para os Óscares da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.

Domingo, Janeiro 31, 2010

A propósito de "Nine"

Se há coisa que atrai pessoas ao cinema para ver “Nine” (2009) é sem dúvida o elenco fabuloso. Tenho algumas dúvidas que o vão ver por ser uma homenagem ao 81/2 de Fellini. A verdade é que poucos filmes no passado recente conseguiram concentrar tamanha constelação de artistas. No entanto num passado não muito longinquo, mas não recente, havia filmes, em que também havia cantoria, com elencos que não ficavam nada atras de o de “Nine”. Então fui às minhas poeirentas prateleiras e encontrei duas pérolas com elencos de deixar a boquinha escancarada. Alguém tem palpites? Não?

Robin and the 7 Hoods (1964)


Um recontar da lenda de Robin Hood mas em Chicago durante a lei sêca. Ah é verdade e há cantoria à mistura, ao bom velho estilo de Hollywood. E o elenco? Essa é a melhor parte: Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Bing Crosby, Peter Falk (numa interpretação fabulosa) e Edward G. Robinson (do mitico “LittleCaesar” (1931)). Impressionante.

The Blues Brothers (1980)


Cada vez gosto mais de filmes da década de 80. Os melhores filmes de familia são sem dúvida os desta década. Este é um filme muito querido nos Estados Unidos, mas estranhamente em Portugal raramente referido. É um filme que segue uma dupla de irmãos pelas situações mais incriveis que se pode pensar e sempre com uma atitude de despreocupação inabalável. Ahh! e claro também não podia faltar a cantoria. O elenco mais uma vez é escolhido a dedo. A saber: John Belushi e Dan Ackroyd a interpretarem os irmãos, e agora o que é realmente impressionante, James Brown, Ray Charles, Aretha Franklin, Cab Calloaway, Steve Cropper, Donald Dunn, Murphy Dunne, Willie Hall, Tom Malone, Lou Marini, Matt Murphy e Alan Rubin.


Vamos lá a pensar bem...será o elenco de “Nine” assim tão fabuloso? É, mas não é inédito.

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Colaboração AddCritics e The Movies I See

Tinha prometido novidades, aqui está uma fresquinha acabadinha de sair do forno a estalar.

O AddCritics vai ter colaborações com pessoas de diversos quadrantes de área dispares mas que tenham em comum uma paixão pela 7ª arte.

A primeira é uma que muito me apraz porque é com um colega de um blogue dedicado a filmes que vos instigo a visitar The Movies I See. Combinámos ir ver este filme escolhido por ele e decidi então convidá-lo a fazer esta pequena joint venture. Os textos estão publicados nos dois blogues, numa parceria que se espera duradoura e frutuosa. As discussões entre nós sobre filmes já existem há muito tempo, e digo-vos que embora concordemos em muitos filmes temos ideias e maneiras diferentes de olhar para cada filme. Isto leva-me a pensar que para os leitores de qualquer um dos blogues possa ser interessante ler inputs diferentes sobre um mesmo tema. Viva a diversidade! Não há ai um hinozinho para tocar? ou mesmo uma marcha popular? Uma sardinha é que ja caia bem que isto de pensar e colaborar dá fome. Maria traz daí o fogareiro. Tou afogueado por uma “pinga no pão”.

Bright Star (2010)


Eu vi o Piano (1993) e sinceramente, pareceu-me um pouco enfadonho. Mas na época era um imberbe jovem que começava a tentar penetrar nos meandros do cinema mais complexo. Agora provavelmente parecer-me-ia um filme interessantíssimo. Isto para explicar que o meu entusiasmo a ir para o filme era pouco.

Mas de repente algo mudou – o filme começou!

É uma obra belissima, a direcção de actores é fantástica e o cuidado com que as emoções são abordadas é sublime. Os sentimentos transbordam das personagens para os espectadores, as palavras são desnecessárias, a excitação da descoberta de um amor mistura-se com a alegria de o consumar e esta entrelaça-se com o desgosto da distância e com o pesar, fisicamente doloroso, da perda. Keats era genial mesmo morrendo aos 25, mas nunca a sua genealidade lhe foi mostrada por outros que não os amigos. Será que uma aclamação da critica o teria salvo? Talvez não, porque nem um amor tão profundo o conseguiu salvar.

Nota: 4/5 but, beware this is almost a snoozefest film – I enjoyed it, nevertheless.

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Dois filmes em Nova York!


Vi estes filmes quase em simpatria temporal, e gostei de ambos. São os dois relactivamente desconhecidos ou desconsiderados, porque nunca antes tinha deles ouvido falar. Então puxo eu agora de uma caixinha de sabão e faço deste canto o meu mui privado Speakers’ Corner. Bem sei que se vou falar de Nova York, Londres não é para aqui chamada...mas apeteceu-me!

New Stories (1989)

Este filme perseguia-me há bastante tempo. Queria vê-lo mesmo sabendo muito pouco sobre ele. Apenas sabia que era uma colecção de 3 histórias contadas por 3 realizador que admiro. E para mim basta. Os realizadores são o Scorcese, o Coppola e o Woody Allen. Temos então 3 contos de 40 minutos cada, com apenas uma coisa em comum, todos se passam na Big Apple.

Scorcese leva o prémio. É a melhor história das 3, é a mais envolvente e a melhor realizada. A música é fenomenal e assume-se como mais uma importante parte da história.

Coppola fica com o bronze. A história não me empolgou nada.

Allen, não deslumbra mas leva todo o conto a extremos de absurdo, como só ele o sabe fazer. Numa das interpretações mais neuróticas de sempre Allen vê-se a braços com a mãe a habitar o céu de Nova York...e mais não digo.

After Hours (1985)



Scorcese depois da tentativa falhada de realizar “The Last Temptation of Christ” renasce ao realizar uma comédia mirabulante. Mirabulante é um adjedctivo parco para qualificar o que acontece à personagem principal durante uma noite à deriva em Nova York.

Quando sai do trabalho Paul Hackett (Griffin Dunne) nunca poderia supeitar na roda viva de emoções e perigos em que se tornaria a sua noite. Seduz uma rapariga com problemas de instabilidade emocional que se suicida por causa dele, entretanto não tem dinheiro para voltar para casa. Vai para um bar para fugir à chuva e percebe que a suicida é namorada do dono do bar que tinha acabado de se oferecer para o ajudar. Refugia-se na casa da empregada do bar, que entretanto se despediu, e descobre que ela é psicopata e vive num apartamento rodeada de ratos. Foge de casa dela apenas para ser confundido com um ladrão e acaba perseguido por uma multidão em furia liderada por uma carrinha de venda de gelados. Mais uma vez procura um sítio onde se esconder e acaba preso dentro de uma estátua de papier mâché. O filme acaba com ele a limpar o fato e a entrar no local de trabalho, como se nada fosse. Apenas mais um dia na vida de um processador de dados.

Este é um resumo simplificado do que acontece em hora e meia de filme. Tudo isto filmado por um dos grandes realizadores do nosso tempo. O que há para não gostar neste filme?

Nota: 3.5/5 aos dois filmes. Gostei muito deles mas nehum deles é muito ambicioso e não seria justo dar-lhes nota mais elevada que isto. Mas têm uma grande probabilidade de se tornarem em guilty pleasures.

Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

Amarcord (1973)


Vivaldi compôs as 4 estações, Fellini realizou Amarcord.

Fellini guia-nos por Rimini, a sua aldeia natal, e leva-nos a percorrer com ele um ano completo, 4 estações na vida quotidiana de uma aldeia costeira numa Itália fascista.

O filme passeia-se pelas vidas das pessoas de Rimini sem uma direcção, sem um sentido pré-definido, sem uma história de fundo. No entanto, a falta de um argumento é algo que se torna imperceptível tal a genialidade das situações e a simplicidade com que todos os assuntos são abordados. E mesmo com a aparente desconexão entre cenas, o filme é brilhante. Desarma com a sua simplicidade, com a facilidade que nada se torna num monstro cinematográfico que vai crescendo e se torna enorme. Cada canto do filme é memorável,e depois de um não tão agradável “Roma” (1972), este Amarcord fez-me render e prostrar por completo ao mestre Italiano. O tal realizador que conseguiu que 4 dos seus filmes fossem distinguidos pela Academia, mesmo fugindo aos cânones cinematográficos como o diabo foge da cruz.

Este filme, e para continuar a não ser parco em adjectivos, é delicioso, e é um crime alguém não o conhecer. Por isso, meninos e meninas, todos em romaria ao clube de vídeo para alugar este filmito. Este filme acompanha muito bem pratos de carne vermelha bem condimentados. Também vai bem com frutos secos e mel, mas só para quem gosta de taninos bem apuradinhos.

Nota: 4/5 para justificações ler o texto acima

Agora um pequeno desafio...

O que tem o recentemente estreado “Nine” (2009) a ver com este filme?

Quinta-feira, Janeiro 14, 2010

I’m back...again!


Sim, eu sei que muitos ansiavam por este momento. A espera acabou - I’m back in the game. Começo com um 4 x 4 x 3 para ter vantagem.

Pois é caríssimos parece que 2010 nos chega com vários projectos em carteira. Eu tenho uns na manga e vocês? Esperem novidades fresquinhas e possivelmente um pouco mais de interactividade do blogue com a comunidade.

Agora com o novo arranjo parlamentar parece que a coisa animou o estaminé e a facturação vai disparar. Ainda bem que vim de laço e pus as toalhas vermelhas nas mesas.

Bem tenho que ir, vou ver um episódio de Simpsons. Isso ou fazer mais uns croutons que os de ontem estavam divinais...querida abre o merlot s’il vous plait.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Bronenosets Potyomkin (1925)




Queria ver este filme de Sergei Eisenstein há anos. Poucos filmes desta era conseguiram atingir o estatuto e renome do filme mais famoso do maior realizador russo de sempre. O filme resiste e continuará a resistir ao tempo não só por ser uma peça histórica de grande relevância. Uma obra com um papel político e social muito marcada, com o objectivo maior de reeducar o público para os ideais de revolução.

O filme abre, como de resto vários filmes de Eisenstein, com uma citação de Lenin. Nota-se ainda um deslumbre por parte do realizador pela politica defendida por Lenin. Uma politica em que os ideais revolucionários e em prole do proletariado faziam sentido à época, nunca suspeitando que podiam levar ao regime ditatorial que dai decorreu (reforçado em muito por Estaline).

Mas este filme tem outros trunfos magistrais, a essência do cinema de Eisenstein acontece na sala de montagem onde ele consegue introduzir o ritmo que pretende. Mas tem também um trunfo nas grandes cenas onde o realizador tira partido do impacto visual de alguns pormenores. A cena da escadaria com o pormenor do carrinho de bebé é disso bem evidente. Embora tente puxar a atenção do espectador para a acção principal Eisenstein recorre a planos que não se foquem apenas num plano de acção, mas em vários, trazendo mais um nível de complexidade ao filme aproximando-o da realidade. Este efeito é notório nas cenas que mostram o adensar da turba no cais. Todas estas inovações fizeram esta obra tornar-se famosa, seguindo-se um magistério de influência que dura até aos dias de hoje.


Nota: 4,5/5

Olhem, querem ver...


Recebi mais um selinho e este tem um interesse particular porque pretende homenagear blogs cuja originalidade não se pode copiar ou traduzir.

Tenho a agradecer à Gema do mui recomendado blog, Os filmes da Gema que vos instigo a visitar. Muito Obrigado Gema.

Allen fez-me companhia

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As férias foram produtivas. Tive tempo para ver e rever alguns filmes e tive tempo para pôr parte da leitura em dia. Analisando todos os pedaços de cultura que me passaram pela mão, Allen foi responsável pelo maior número. Então que andei eu a ver do mestre Judeu?

Annie Hall (1977)


Hands down o meu filme favorito de Woody. Se há coisa que Allen faz bem é escrever diálogos. São soberbos, a personagem que ele personifica neste filme é uma das minhas personagens preferidas da história do cinema, nunca ninguém foi tão neurótico e, principalmente, nunca ninguém foi neurótico de forma tão culta e erudita.

Manhattan (1979)

Ok, as personagens têm nomes diferentes das do filme anterior, mas são as mesmas. Este é o Annie Hall 2. E ainda bem que é, porque é quase (falta-lhe um bocadinho assim) tão bom como o anterior. Aqui a personagem de Allen interage com a personagem de Keaton num grau de erudição ainda mais elevado. Este chorrilho cultural pode ser visto como um elitismo de esquerda, mas considere-se este um abrir de olhos para consciências desconhecidas.

É neste filme que Allen diz que vale a pena estar vivo porque existe Groucho Marx (no blog pululam posts em que falo sobre a influência avassaladora da obra de Groucho sobre Woody Allen)

The Purple Rose of Cairo (1985)

Uma homenagem ao cinema. Um filme sobre filmes. A verdadeira fragilidade das relações humanas é aqui exposta através de uma personagem de um filme que desconhece a realidade e os problemas que aí existem. Um exercício complexo demonstrado de uma forma simples com recurso ao absurdo.

Radio Days (1987)


Mais uma vez, Allen consegue produzir diálogos e, sobretudo, situações tão bem construídas que me arrepia. Para mim a narração e a convivência da família num espaço exíguo fazem deste um grande filme. As musas de Allen à época entram todas neste filme. Se fosse hoje entrava Scarlett Johasson.

P.S. – Já se aperceberam da similaridade entre alguns filmes de Allen e de Tarantino? Há nos dois um cuidado extremo com os diálogos e ambos fazem amor com as personagens femininas através da câmara.

Sábado, Agosto 15, 2009

AddCritics – O Regresso parte (2^43112609) − 1

O casal de moscas da mesa do canto importa-se de sair? O senhor e a Senhora Musaranho têm reserva para as 4.

A minha época estival está a terminar. E termina ainda dentro da silly season, dai o parágrafo acima. Antes da rentré politica, antes do início do ano académico (por tradição só se inicia algures em Novembro), e quase ao mesmo tempo das visitas de Paulo Portas a feiras e mercados, eis-me de volta ao estaminé. Venho com coisas fabulosas para vos contar e com isto não pretendo dizer que vou efabular as coisas, que para fábulas já nos chegam as rábulas que preenchem os jornais nesta escassez noticeira, venho-vos falar do mesmo de sempre, não fosse eu mais um enfadonho conservador com modos clássicos, filmes.

O que andei a ver neste interregno? O que me apetece ver? O que vou ver?
Estas são questões que, estou certo, vos irão (a forma verbal, não o País) agarrar em frente ao monitor a ler como se não houvesse amanhã. Ah o calor interior que me trazem estas frases feitas. Just a warm fuzzy little place to fall on to.

PS – Se fossem matemáticos ou autistas achariam particular graça a este post.

Terça-feira, Julho 21, 2009

Les Vacances de Monsieur Hulot (1953)


Jackes Tati veste o papel de Monsieur Hulot aquela que é a sua personagem mais carismática. É com esta personagem que Tati nos leva a regressar ao cinema de regras clássicas, como o cinema de Chaplin. Consegue transmitir emoções muito vivas com recurso a comédia situacional e de costumes, exacerbando a reacção do espectador com o auxílio exímio de uma banda sonora perfeita. Esta tradição do cinema mudo é transposta para uma realidade muito mais acelerada e muito mais exigente de uma forma sublime. Apenas Tati consegue segurar o espectador moderno numa cadeira de cinema com filmes de moldes mudos.

“Les Vacances de Monsieur Hulot” está, a meu ver, uns furos abaixo de “Mon Oncle” (1958) de que já aqui falei. No entanto não deixa de ser um exercício fabuloso de cinema e uma obra extremamente corajosa e arriscada. As férias como aqui são retratadas trazem-me um sentimento saudosista de quando as pessoas de férias, por se encontrarem deslocadas, se reuniam e novas amizades, ainda que efémeras, se firmavam apenas para se retomarem um ano depois em equivalente situação.

Nota: recebe um firme 3,5/5


P.S. Quero mais, quero mais filmes de Tati. O génio que veio de França.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Interesting movie facts #1

Olha, não me digas que há uma nova rubrica?
Há pois e logo do mais geek que há. Aqui vou falar de factos interessantes, para alguns, e maioritariamente desconhecidos sobre filmes.

Para estreia vou enumerar os filmes que alguém está a ver num filme. São portanto filmes dentro de filmes, verdadeiras homenagens em imagem real.

Bride of Frankenstein (1935) - Bride of Chucky (1998), Gods and Monsters (1998)
The Brides of Dracula (1960) – The Matrix Reloaded (2003)
The Criminal Code (1931) – Targets (1968)
The Dead Zone (1983) – Cat’s Eye (1985)
Duck Dodgers in the 241/2th Century (1953) – Close Encounters of the Third Kind (1977)
Frankenstein (1931) – Shocker (1989), Scream (1996)
Frakenstein Meets the Wolf Man (1943) – Alien Versus Predator (2004)
Freejack (1992) – True Romance (1993)
A Guy Named Joe (1943) –Polterigeist (1982)
Halloween (1978) – Halloween III: Season of the Witch (1982), Scream (1996)
Hellraiser (1987) – Basic Instinct (1992)
It’s a Wonderful Life (1946) – 976-EVIL 2 (1992), Gremlins (1984)
Night of the Living Dead (\968) – 976-EVIL 2 (1992), Halloween II (1981)
Invasion of the Body Snatchers (1978) – Gremlins (1984)
To Please a Lady (1950) – Gremlins (1984)
Night of the Lepus (1972) – The Matrix (1999)
Octaman (1971) – Gremlins 2: The New Batch (1990)
Rambo III (1988) - Gremlins 2: The New Batch (1990)
Plague of the Zombies (1966) – Fright (1971)
Rio Bravo (1959) – Get Shorty (1995)
The Quiet Man (1952) – E.T. The Extra-Terrestrial (1982)
Shogun Assassin (1980) – Kill Bill Vol. 2 (2004)
Stagecoach (1939) – The Apartment (1960)
Summer of ’42 (1971) – The Shining (1980)
The Thing From Another World (1951) – Halloween (1978)
Forbidden Planet (1956) – Halloween (1978)
The Third Man (1949) – The Man Who Fell to Earth (1976)
Billy Budd (1962) - The Man Who Fell to Earth (1976)
The Vampire Lovers (1970) – The Return of Count Yorga (1971)
White Zombie (1932) – Ed Wood (1994)
The Wolf Man (1941) – The Howling (1981)

E cá está uma lista perfeitamente inútil. Se conhecerem mais casos deixem um comentário.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Isto está Incorrecto!


Caros leitores e ocasionais voyeurs que passam aqui à porta e olham de soslaio pelo buraco da fechadura, descobri outra incorrecção de tradução. E como aqui em casa não gostamos nada de liberdades poéticas de quem não é poeta, sacamos da moca de Rio-Maior (que comprei na feira das tasquinhas) e Pumba! Agora até parecia o Jorge Coelho! (Quem se mete com o PS leva).

No filme mítico de John Carpenter “Escape from New York” (1981) acontece algo de muito estranho:

Hauk (Lee Van Cleef) – It’s a homing device.

Tradução: É um aparelho caseiro.

Correcto: É um aparelho de localização.

P.S. – Foi bom rever o grande Lee Van Cleef

P.S.2 – Qual o filme de 2008 tem no seu poster uma homenagem clara a este filme de Carpenter?

The Apartment (1960)


Desconheço a obra de Billy Wilder, um dos realizadores históricos, uma lenda (ganhou 6 Óscares da Academia e foi nomeado para mais 15). Este era um dos filmes pelos quais andava a salivar. Queria vê-lo, queria muito vê-lo. E vi-o em todo o seu esplendor, num preto e branco que me atrai. Jack Lemmon está como sempre perfeito e a sua interpretação neste filme fez-me lembrar Woody Allen (que me começa a parecer ser uma mescla profunda entre o seu ídolo Groucho e o Jovem Jack Lemmon), e alguns diálogos entre ele e Shirley MacLaine lembraram-me vagamente Annie Hall (1977) (não há dúvidas que Allen foi inspirado por Wilder).

Vamos ao que interessa porque temos de ir todos trabalhar. O filme é sublime, está bem filmado e soberbamente interpretado. Uma ode ao cinema clássico, num drama bem-disposto, mascarado de comédia.

Vi-o, mas quero vê-lo outra vez e depressinha. Só não sei se primeiro não vou ver os outros dois filmes de Wilder que tenho no caixote. Sim, no caixote porque me ofertaram um caixotinho com 3 obras-primas (assim espero) do Billy (agora que já lhe conheço parte da obra sinto que já somos íntimos).


P.S. Vamos a uma partidinha de Gin Rummy?


Nota: 4,5/5

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Barton Fink (1991)


Um escritor é contratado para escrever um guião para um filme de wrestling. Sem conhecer nada sobre o tema, sem conhecer ninguém em Hollywwod e com o intuito de escrever um filme importante sobre o Homem comum, Barton Fink fica preso num quarto de Hotel sem saber o que escrever até que os acontecimentos à sua volta lhe trazem a inspiração que lhe fugia. Escreve aquele que considera o seu melhor trabalho, mas que não agrada ao seu patrão. O filme termina com um episódio estranho que expia a seu própria culpa, mas que o envia para um lugar estranho, sempre acompanhado da caixa.

Está muito, muito bem filmado e foi um prazer descobrir esta obra.

Nota: 4/5

Quinta-feira, Julho 02, 2009

The Hangover (2009)


Este é daqueles filmes de comédia que aparecem muito raramente e que têm a capacidade de se destacar completa e rapidamente do pelotão de filmes de comédia medíocres. Este batalhão indistinto de filmes é normalmente suportado apenas pelos galões de actores com provas dadas no género e que têm o único propósito de servir de acompanhamento para bidões tamanho jumbo de pipocas doces.

É puro divertimento do princípio ao fim com um turbilhão de situações inesperadas que fogem a lugares-comuns. Sem nenhuma estrela de primeira água nos papéis principais, o elenco entrega uma interpretação sólida e muito boa. Just a word of advice – sigam a carreira de Ed Helms, porque depois de ver este filme e comparar esta à sua interpretação no “The Office”, só podemos esperar boas coisas deste actor.

Vejam este filme porque vão ter uma boa experiência.

Nota: 4/5

P.S. – The Hangover 2 já está programado. Que esta não se torne num flop como a saga American Pie, da qual só os dois primeiros são bons filmes. Nas imortais palavras de Ramesés II – Shall it be written. Shall it be done.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Land of the Dead (2005)



A verdade é que não sou um connaisseur da série Dead de Romero, mas sei que este senhor criou uma escola, um género que tem seguidores em todo o mundo. Toda esta história não invalida o facto de este filme ser muito fraquinho e de não acrescentar nada ao universo Zombie. Desaconselho em absoluto a visualização desta obra, a menos que sejam fãs de Romero, mas se forem já o viram e este concelho não tem validade.

Nota: 1,5/5

Ui que temos uma desilusão!


Ter desilusões com alguns filmes é algo de que não nos livraremos nunca.

Já por aqui falei das desilusões que tive/tenho com algumas das séries que me forjaram como apreciador de televisão, mas esta desilusão também me aflige quando revejo alguns filmes.
Aconteceu-me com um filme do qual tinha muito boa impressão, “Dracula” (1992) do Coppola. Tenho uma bela edição deste filme que me foi oferendada, e revi-o a semana passada. O filme que eu julgava excelente, não o é, chega a ter algumas sequências anedóticas e nem o excelente elenco (Hopkins e Oldman) consegue salvar a minha ideia romântica da obra. Claro que ter o pior actor da história (K. Reeves) não ajuda, mas não é por isso que o filme não funciona como devia. É pouco apelativo e falha naquilo em Coppola é melhor, na narrativa.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Monserrate


Não é um ensaio fotográfico nem mesmo um exercício de representação de realidades alternativas, mas fui aos jardins do palácio de Monserrate e isto foi o que saiu. No sítio do costume estão lá mais momentos.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Angels and Demons (2009)



Quero declarar uma coisa, e vamos considerar este o ponto de partida. Não li o livro.

Posto isto, tenho a dizer que esta temática é sem dúvida uma das minhas preferidas. Os segredos da igreja, a religião e o seu papel histórico, o modo como o catolicismo lida com os seus demónios, são assuntos que me atraem. Daí o meu gosto por filmes como "The Name of the Rose" (se bem que aqui há muito mais que me faz gostar deste filme), "Stigmata" e até mesmo "The Ninth Gate".

Gostei de ver o filme, e gostei muito mais de ver este filme do que a Part I - a.k.a. "The Da Vinci Code". O enredo foi construído como se tratasse de um policial de acção, mas quando se pensa bem no que ali foi retratado percebe-se que a verosimilhança foi posta de parte e que o que inicialmente fora bem construído foi desconstruído de forma previsível. Embora Ron Howard tenha filmes que eu aprecio muito, um exemplo flagrante é o "A Beautiful Mind", não foi o realizador certo para estes filmes. É muito certinho, muito tradicional, e estas histórias podiam ter sido aproveitadas de outra forma e se o fossem podiam perfeitamente ser excelentes filmes. Assim sendo, o primeiro é pouco mais que mau e este é pouco mais que banal.

Nota: 3/5 - Mas mesmo assim gostei de o ver e dou por bem empregue o dinheiro do bilhete de cinema.

P.S. Fiquei ainda com mais vontade de passar uns dias em Roma.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Primal Fear (1996)


Espera! Não é este o filme com a música da Dulce Pontes?
É pois!
Vi este filme há largos anos (sempre gostei desta expressão, é muito caricata) na televisão, e fiquei de tal forma impressionado que o procurei insistentemente quando comecei a minha demanda por DVDs. Não o encontrei em lado nenhum até que, passados uns anos, ao passear numa grande loja encontrei uma edição do tempo da outra senhora (2001) deste filme. Lá o trouxe para casa onde esteve a estagiar em prateleira de carvalho francês durante 18 meses. Revi-o ontem e posso dizer que gostei, mesmo sem o efeito surpresa de quem o vê pela primeira vez, gostei muito de ver Edward Norton numa representação majestosa que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de melhor actor secundário.
Aconselho este filme que é essencial na filmografia de Norton, um dos meus actores favoritos.
Nota:4/5